Roteiro de 13 dias em Nova York (sozinha)

Adoro conhecer histórias de viagens, ainda mais de lugares que eu nunca fui. Nova York foi o destino de Ana Elisa, ela iria com um amigo canadense e a principio estava tudo certo. Até que ele deu para trás e ela resolveu se aventurar 13 dias sozinhas em NY. Enfrentou medos, imprevistos e muitas amizades novas. Confira esse roteiro incrível! 

Sempre tive o sonho de conhecer Nova York, nunca tinha saído do país, nem ido muito longe dentro dele, moro em Curitiba. Em 2013 comecei um novo emprego e decidi que nas minhas primeiras férias eu iria realizar este sonho, então comecei a guardar dinheiro e procurar companhia. Acreditem se quiserem que foi mais difícil encontrar companhia do que dinheiro! Até que convidei um amigo canadense que conheci aqui no Brasil, quando veio visitar um amigo em comum, e ele aceitou. Comecei a ver hostels e fazer uma programação detalhada da viagem. Comprei passagem, pedi para ele dar a entrada no pagamento do hostel que tínhamos escolhido, nos encontraríamos no aeroporto JFK dali um ano. Enfim, tudo certo.

Pegaria o avião dia 07 de outubro de 2014, lá pelo dia 2, meu amigo disse que estava com medo dos ataques da ISIS em NY, mas depois de muita conversa ele acabou me contando que não tinha comprado a passagem e que não tinha dinheiro para comprar! Mas disse que o meu hostel estava pago, que ele fazia questão. Enfim, ele desistiu de ir e eu me encontrei naquela situação de “vou ou não vou?”. Nunca passei tanto medo! Conversei muito com a minha mãe, irmãos e amigos que me deram (um pouquinho) de coragem para ir. Foi quando o canadense me mandou as informações do “hostel” que na verdade era uma casa do Air Bnb que não era nada como tínhamos combinado. Entrei em contato com o responsável, a casa era NO MEIO DO BROOKLYN, acho que nunca fiquei tão nervosa na minha vida! E tem mais! O responsável não estaria na casa nos 2 primeiros dias, então ele me explicou como faria para entrar e tal.

Chegou o grande dia! Fui até o aeroporto muito tensa, nunca tinha ficado tanto tempo longe de casa e sozinha. A viagem foi programada para 13 dias. Entrei na sala de embarque sem olhar para trás, estava com os olhos cheios de lágrimas e não queria que ninguém visse. Fui chorando de Curitiba à Guarulhos, chegando lá tive uma conversa de mim para mim, dizendo que eu teria que me dar bem comigo mesma, e até que funcionou, peguei o voo pela Delta Airlines e fui para a minha aventura. Chegando no avião já tendo que falar em inglês assim, no susto! Horas e horas de frio, sinusite e insônia cheguei a Detroit de manhãzinha, fiz a imigração. Lógico que abriram minha mala, eu de passaporte limpo indo pra Nova York pela primeira vez sozinha! Tudo certo e logo já peguei um voo de 2h para NYC! OMG!

A viagem toda deu em torno de 14h.

Pousando no JFK começou a dar aquele frio na barriga, comecei a sentir a solidão e a distância de casa e familiares (sei que pareço dramática, mas foi isso mesmo que senti, nunca viajaria sozinha de propósito). Pedi  um taxi para o Brooklyn, o engraçado era que toda vez que eu falava que ia para o Brooklyn eles respondiam “BROOKLYN???” Só para me deixar mais calma!

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Entrando no taxi comecei a ver as casas como são nos filmes e seriados, mas quando desci e o taxi foi embora, meu desespero bateu de verdade “Meu Deus, estou sozinha aqui mesmo”. Entrei na casa, entrei em pânico, bateria do celular acabando, tomada diferente da minha! E agora? Bati na porta de todos os quartos, não tinha ninguém, estava completamente só! Saí da casa e escutei uma TV ligada na casa de cima, bati na porta, quando abre era uma mulher parecida com a Rochelle do Todo Mundo Odeia o Chris só que mais “Ghetto”, e eu lá com a cara inchada perguntando para ela se tinha como me ajudar a carregar meu celular. Ela me explicou onde eu poderia comprar um adaptador e eu só pensando “Vou ter que sair daqui sozinha” hahaha. Enxuguei as lágrimas e fui.

Só quero colocar um adendo aqui, nunca agradeci tanto por ter feito um curso de inglês, eu não sei o que faria se não soubesse falar a língua, foi o que me salvou! \o/

Consegui carregar o celular, entrei em contato com a minha família, quase matei eles do coração com o meu pânico e entrei numa página no facebook que conheci quando comecei a programar a viagem, se chama: NEW YORK PARA TODOS. Quando soube da minha situação, perguntei se alguém iria estar lá no mesmo período que eu. Nesse momento, entrei em contato com a Gabriela, que estava no grupo e em NY, ela viu se tinha uma vaga para mim no hostel que ela estava, e tinha! Pedi para ela reservar e lá fui eu, atrás da estação de metrô de mala e cuia para o Soho, encontrar uma menina que eu não conhecia. Peguei meu primeiro metrô, desci na estação certa (AE!) e encontrei a Gabriela. Foi um alívio, alguém para conversar e responder minhas perguntas. Cheguei ao The Bowery House, era lindo, amei! $100 a diária, lembrando que naquele ano paguei R$2,64 no dólar! Peguei 2 diárias porque era só o que tinha, pensei que depois que me acalmasse poderia voltar para a casa no Brooklyn. A Gabriela me levou para ver a Time Square e comer! Sim, já estava há mais de 12h horas sem comer, desde o café da manhã (bolacha com Coca – horrível) do avião. Sempre falo que a minha viagem começou no segundo dia, depois que comi e dormi pude realmente apreciar a cidade.

Agora sim! Acordei super feliz e animada para começar a conhecer os lugares, fui no outono, então estava um clima super agradável, super parecido com Curitiba, até mais quentinho. Tive sorte que bem no período que viajei, o seriado Friends estava fazendo 20 anos e teve uma ação especial.  Eles abriram um Central Perk (coffee shop tradicional do seriado) para visita, então foi a primeira coisa que fiz, sou MUITO FÃ de Friends e fiquei muito emocionada. Era tudo de graça, pegamos uma fila de uns 30 min, disseram que tivemos sorte pois outros dias estava demorando umas 2h. Tinham vários acessórios da série como figurinos, artigos, peças da casa, roteiro, café e claro o lindo sofá laranja! Foi engraçado sentar sozinha no sofá, cadê meus Friends? Haha

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Depois disso fomos no museu da Madame Tussaut (Museu de Cera) nos divertimos bastante, tiramos muitas fotos com os “artistas”, logo após fomos para o Rockefeller Center subir até o Top Of the Rock, um dos prédios mais altos da Big Apple. Foi incrível, acho que uma das coisas mais incríveis que eu já vi, era noite pudemos ver todas as luzes da cidade e o mais legal foi ver o tamanho do Central Park, aquele retângulo enorme escuro no meio de tanto brilho.

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Porém, logo chegou minha segunda noite no hostel e eu tinha que achar outro lugar para ficar ou voltar para a casa no Brooklyn. Pesquisei e encontrei um hostel que se chama Fit e fica no Upper West Side, uma das melhores regiões de Manhattan, chique né? Não. A diária era 50 dólares, quarto e banheiro compartilhado e a estrutura era BEM precária, mas tinham várias diárias liberadas, então foi lá mesmo! Passei o dia na Macys, é muito grande e cansativa! Me separei da Gabi e fui para o meu fancy hostel, parei num food truck e pedi uma comida que tinha uma massinha em volta, frango, alface, cebola e maionese, não lembro o nome, mas era bem gostoso! Chegando no hostel, uma menina já tinha chego no meu quarto, ela é suíça e nos demos muito bem, muito querida. Fui tomar banho e adivinha. Privada entupida, transbordando e aquele cheirinho, nos outros banheiros os chuveiros não funcionavam direito! Então… foi lá mesmo! Hahaha Tudo bem, dormi em cima num beliche, acordei e fui tomar café, chegando lá conheci um grupo de brasileiros que moram no Rio, conversamos e resolvemos ir no MoMa (Museum of Modern Art), pessoal muito gente boa! No museu tive o primeiro choque de honestidade nos EUA. Comprei um ingresso para a Gabriela e ela acabou não indo, eles não rasgam, nem marcam seu ingresso na entrada. Você comprou, você pode entrar e sair quantas vezes quiser. Perguntei se podia devolver o ingresso, eles falaram que já tinha passado o tempo de tolerância, mas mesmo assim, me devolveram o dinheiro de um ingresso que eu podia ter usado se eu tivesse más intenções.

De noite fui num pub (Playwright Tavern & Restaurant) com os novos amigos e foi muito legal, música e bebida boa!

No dia seguinte, encontrei uma amiga ~virtual~ e seu namorado que moravam aqui no Brasil e agora vivem em NY e foi um dos dias mais divertidos, conheci a Union Square que é uma praça linda, onde acontecem coisas malucas e depois a Anelise e o Hugo me levaram no iHop. É um restaurante maravilhoso onde servem café da manhã 24h, uma delícia! Tive aquele típico breakfast americano. Passeamos, vimos esquilos, tiramos fotos no Flatiron Building, depois encontramos uma ação da Lego, onde tinham vários personagens montados com Lego e você podia ajudá-los montando “tijolos” para uma mini estátua da liberdade que estavam construindo, ganhei certificado e tudo! Ao entardecer, fomos jantar no 230 Fifth, um Restaurant/Pub que fica no roof top de um prédio, e foi muito lindo! Adorei!

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Acabei não passando nenhum dia sozinha em NYC, isso foi ótimo, encontrei amigos de amigos, fiz novos amigos no hostel, foi uma experiência incrível. Nos próximos dias já estava completamente habituada, conseguia até andar de metrô sem ficar olhando muito no mapa.

METRÔ! Preciso falar dele. Eu sou uma pessoa completamente perdida, mas o metrô de NY tem uma dinâmica incrível, é muito fácil se encontrar, fora que nas estações tem Wi-fi, então você pode checar em algum app, qual seria o melhor caminho. Você pode comprar 1 MetroCard que vale por 7 dias e é ilimitado, acho que foi 21 dólares. Ótimo!

No 6º dia visitei o Chelsea Market, que é tipo um mercado municipal, fui no High Line Park,  um parque que foi construído por cima de uma linha de trem desativada, lindo demais! Fui no Ground Zero, onde ficavam as torres gêmeas, é um lugar que com certeza te passa uma sensação diferente, ao mesmo tempo peso e paz.

Atravessei a Brooklyn Bridge a pé (lindo demais, mas me lembrem de preparar minhas pernas para a próxima viagem!), e fomos comer no Shake Shak, um fast food delicioso e gorduroso que é bem famoso por lá!

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Esse dia, quem me acompanhou foi o Bruno Hasum, que além de tudo é um grande fotógrafo e me presenteou com algumas fotos lindas:

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Dia lindo, dia de ir ao Central Park! Conheci o Eliabe no Fit hostel e combinamos de no dia seguinte visitar as atrações do famoso parque de NY. Como fui no outono, as árvores estavam amarelas e vermelhas, foi um espetáculo, amamos! À noite, seguindo a sugestão de uma amiga, fomos no Arthur’s Tabern, um pub de jazz e blues, foi maravilhoso. A banda era ótima e as pessoas interagiam com a gente, foi demais!

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Conheci mais duas meninas no hostel, e fomos ver a Estátua da Liberdade, somente passamos na frente de barco porque era de graça, é só pegar o Staten Ferry que vai para Staten Islaind, passamos pelo Bull of Wall Street para tirar a típica foto com o Touro. Visitamos mais um pedacinho do Central Park e depois fomos no the Met (Metropolitan Museum of Art) não vimos nem 1/5 dele, muito gigantesco!

Este dia foi muito importante para mim, realizei um sonho, eu e o Eliabe compramos um ingresso para ver um show da Broadway e vimos Mamma Mia! Foi incrível, um momento que nunca esquecerei. Quem for para NY tem que ir à pelo menos um show. Você pode ir no dia anterior no TKTS (que fica embaixo da escada vermelha da Times) ver que horas tem o show que você quer e no dia ir com algumas horas de antecedência e comprar o ingresso com desconto. Vale super a pena!

Nos últimos dias fui na Dumbo Area, que fica depois da ponte do Brooklyn para poder fotografar o pôr do sol em Manhattan, foi lindo! Fui com o pessoal do hostel num lugar chamado Village Underground, onde tocou ótima música, comida e bebida.

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Fomos no Central Park Zoo, ver os animais, passeio muito gostoso e tambémn Washington Square Park, uma praça muito aconchegante. Visitei o Museu de História Natural, no começo foi legal, mas depois cansou bastante, para quem gosta é um prato cheio de história!

Só quero lembrar que em quase todos os lugares que eu fui tinham expressões artísticas, muita música boa em todo lugar. Isso foi o melhor de NY para mim!

No penúltimo dia fui me aventurar para encontrar o prédio que a Monica do seriado Friends morava, me perdi um pouco, mas depois encontrei. Entrou uma menina nova no quarto do hostel e já fui com ela no Hard Rock Café para termos a minha última janta em NYC! Chegou o último dia, apesar de ter amado a viagem, estava ansiosíssima para voltar para casa, realizei mais um sonho que foi fazer uma aula de dança na Broadway Dance Center, peguei minhas malas e fui para o aeroporto. Usei um serviço que se chama Shuttle, você entra no site, coloca a hora do seu voo e onde fica o local que você está hospedado, é um transporte compartilhado. Eles passam pegando as pessoas que estão na mesma região e tem o horário do voo próximos, muito interessante e barato perto dos taxis, paguei 20 dólares, e eles te pegam na porta.

Bom, essa foi minha aventura inesperada! Agora sei que é possível fazer uma viagem sozinha, foi muito esclarecedor e encantador para mim. Nova York é um destino para quem gosta de novidade, de ser surpreendido, mas principalmente para quem gosta de arte! Quero muito voltar um dia! Espero que tenham gostado!

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